Sobre meu burnout e a tattoo nova.

Oi gente, tudo bem?

Tenho certeza de que o que todo mundo quer mesmo saber, é como ficou minha tattoo nova. 🙂 Mas aqui vai um pouquinho de contexto pra essa minha tattoo.

No começo do ano passado passei por um burnout. O Wikipedia define essa síndrome da seguinte forma:

„Síndrome de Burnout é um distúrbio psíquico de caráter depressivo, precedido de esgotamento físico e mental intenso, definido por Herbert J. Freudenberger como „(…) um estado de esgotamento físico e mental cuja causa está intimamente ligada à vida profissional“.

A dedicação exagerada à atividade profissional é uma característica marcante de Burnout, mas não a única. O desejo de ser o melhor e sempre demonstrar alto grau de desempenho é outra fase importante da síndrome: o portador de Burnout mede a autoestima pela capacidade de realização e sucesso profissional. O que tem início com satisfação e prazer termina quando esse desempenho não é reconhecido. Nesse estágio, a necessidade de se afirmar e o desejo de realização profissional se transformam em obstinação e compulsão[1] ; o paciente nesta busca sofre, além de problemas de ordem psicológica, forte desgaste físico, gerando fadiga e exaustão.“*

Fadiga e exaustão são um „understatement“. Eu literalmente „fundi meu motor“. Há meses eu não via meus amigos, não sabia o que era final de semana, esquecia de comer, e andava chorando pela uni sem saber o motivo. Não conseguia mais me concentrar, e em muitos dias eu não achava tempo nem de tomar banho. Apesar da exaustão, eu não conseguia dormir. Parei de funcionar, ponto. Estava a seis meses de me formar em arquitetura, e de repente meu corpo e minha mente não quiseram mais cooperar. Com muita relutância, decidi fazer uma pausa do curso.

Quando finalmente me entreguei, fiquei um mês na cama. Mal tinha forças pra tomar banho. Tinha dificuldade para respirar, fraqueza e tremores, tonturas. Depois de um mês eu já conseguia descer um andar pra pegar o correio, e voltar pra cama/sofá. Foi um período bem difícil pra mim e pro meu marido.

Depois de um tempo comecei a fazer terapia, e comecei a ver utilidade para os livros de auto-ajuda, pela primeira vez na vida. Li um livro chamado „A cabana“. Não vou discutir aqui sobre a teologia quase que provocadora do livro; o que aprendi com ele foi uma nova e mais profunda forma de entender o amor de Deus por mim. Esse livro, a terapia e as descobertas que fiz sobre mim mesma e sobre Deus nesse período mudaram a minha vida. Quase que dá pra dividir minha vida em „pré-burnout“ e „pós-burnout“.

Aprendi a ser mais paciente comigo mesma, e a aceitar que tenho fraquezas. Aprendi que eu posso, sim, fazer ou ser o que eu quiser, mas que não preciso fazer/ser tudo. Que meu valor não está no que faço, e sim em quem sou, e que há uma diferença entre os dois. Aprendi de verdade que de fato não sou perfeita, e que tentar atingir perfeição aqui na terra é esperar algo impossível de mim mesma. Aprendi ainda que quem eu sou não é definido por o que sou em um determinado momento da minha vida: arquiteta, esposa, mãe… Mas que inúmeras facetas compõem o lindo e complexo caos chamado Carol. E que Deus me AMA exatamente assim.

Eu nunca tinha me animado o suficiente pra fazer uma tatuagem antes, porque nunca tive algo que quisesse estampado no meu corpo por tanto tempo. Mas por esse período ter sido tão importante e transformador na minha vida, fiz questão de registrar. E aí está o resultado!

Carinho, Carol

*https://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%ADndrome_de_burnout

 

Problemas com a assistente social

Oi gente! Bem-vindos de volta.

Hoje resolvi falar sobre tudo que ouvimos de desaforo/desrespeito/preconceito da assistente social. Estou contando essas coisas, pois senti vontade de „dar nomes aos bois“, enfim, de contar em detalhes o porquê da nossa frustração com ela.

Como escrevi semana passada no post „Por que tão difícil?“, nós estamos agora aguardando o juizado marcar uma audiência conosco, onde também estará presente a advogada deles. Não sabemos ao certo se o motivo da audiência é o relatório negativo da assistente social, ou nossa reclamação da assistente social para o juizado.

De qualquer forma, estamos nos preparando para essa audiência como se fosse a única e última chance de mostrarmos pra eles que sabemos o que queremos, que estamos preparados, e que somos de confiança. Estamos fazendo um „plano de ataque“ com o que vamos falar, quem vai falar o que e em que ordem, e quais as possíveis perguntas deles e as respostas. Vamos ensaiar na frente do espelho. Vamos preparados pra „guerra“.

Tenho visto vídeos e lido blogs de outros pretendentes a pais adotivos no Brasil, e me frustro ao perceber que o nosso processo de habilitação tem sido tão mais complicado do que deveria/poderia ser. Me corrijam se eu estiver errada, mas tenho a impressão de que assistentes sociais do Brasil são até queridas, querem mais é conhecer a família/o casal, e chegam até a dar informações úteis para os pretendentes. A nossa, infelizmente, além de não ajudar em nada no processo e no nosso preparo, acabou atrapalhando em muito o processo. Ah, gente, que desespero. Nós só queremos ser pais.

Mas enfim… Aí está o vídeo de hoje, espero que ajude alguém. Comente, compartilhe, participe dessa jornada com a gente.

Carinho, Carol.

Novidade: nosso canal no youtube!

Olá, queridos!

Há pouco tempo tive a idéia de fazer um vídeo para deixar registrado aqui tudo que tem acontecido – era coisa demais pra escrever em um post. Mas a idéia era realmente de ficar no 1 vídeo e pronto. Nunca tive pretensão de virar youtuber.

Então acabei gravando esse um vídeo. E depois mais um, e mais um. Resultado: já tenho uma série de vídeos que decidi publicar no YouTube e aqui, intercalando com meus posts escritos. Acabei gostando da idéia!

Não esqueça de deixar seu recado dividindo sua história com a gente também! E se não quiser perder nenhuma novidade, se inscreve lá no nosso canal do YouTube e também aqui no blog.

Assista aqui aos 3 vídeos da série „nossa história“!

Carinho, Carol.

 

Por que TÃO difícil?

A vontade é de chorar, mas o choro não vem.

Vontade e necessidade profunda de sermos entendidos, de não nos sentirmos tão sozinhos.

Mas a verdade é que não seremos entendidos. Não é possível. Pelo menos não por aqueles que nunca passaram por isso. Assim como nós não somos capazes de entender a dor de uma mãe que perde um filho, de um homem que fica viúvo, etc. O que nos une e nos torna um pouco mais humanos, é a capacidade de aceitar a dor do outro, e de dizer „sinto muito pela sua dor“. Pois cada um tem a sua…

Então aqui venho eu, de novo, com essa ladainha de adoção. É que hoje estou – ou estamos, meu marido e eu – me sentindo especialmente sozinha, fraca, meio perdida.

Há um tempo atrás D. e eu lemos um livro sobre uma história de adoção: um casal que mora(va?) na França adotou três meninas ao mesmo tempo. Três irmãs. No livro essa mãe relata as dificuldade que tiveram com o processo, com os responsáveis pelo processo, etc. Rimos e choramos algumas vezes, pois parecia que estávamos lendo a nossa história, sobre nossos problemas com a assistente social, etc.

Esse casal teve realmente um processo complicado. Chegaram a ter que recorrer a decisão negativa do juiz quanto à adoção, tendo que marcar audiência e apresentar seu caso perante as autoridades. Lembro de ler essa parte e pensar „meu Deus, olha por onde eles tiveram que passar. Pelo menos nesse ponto nós ainda não chegamos.“

Bem. Não havíamos chegado, ainda.

Hoje de manhã escrevi um E-mail para o juizado, perguntando se eles haviam recebido nosso E-mail de quase um mês atrás, onde expomos nossa preocupação quanto ao tratamento da assistente social conosco. Escrevemos que temíamos o que ela iria escrever no relatório dela, pois sentíamos preconceito e falta de confiança dela a nosso respeito. Enviamos no mesmo dia uma carta à assistente social fazendo o mesmo comentário, e listando todos os comentários e perguntas dela que nos ofenderam. A mesma carta foi enviada em anexo no E-mail para o juizado.

No dia seguinte, literalmente, tínhamos nossa última reunião com a assistente social. Naquele dia ela nos tratou bem diferente. Ficou claro que, por mais que tenha tentado se explicar quanto às nossas reclamações, ela levou a sério o que escrevemos. Uma assistente social demonstrando preconceito é coisa séria. Ela sabia disso. Mesmo assim, no final da reunião ela nos disse que o relatório dela seria negativo, ou seja, que ela não nos recomendaria para essa adoção.

Como eu disse ali em cima, hoje escrevi para o juizado perguntando se eles haviam recebido nossas reclamações. Menos de meia hora depois recebo a resposta:

„Bom dia

Confirmamos o recebimento do E-mail do dia 29. Junho 2016. Após a verificação do relatório social iremos entrar em contato para marcarmos uma audiência. Nessa audiência estará também presente a nossa jurista, que já estará a par do seu caso previamente.“

Meu Pai. Não acredito que chegamos mesmo nesse ponto. Nós só queremos adotar, ter filhos, dar um lar e uma família a crianças que não têm mais esperança. Audiência com jurista? Sério mesmo?

Meu coração está na boca desde que li esse E-mail. Não sei o que pensar, só queria mesmo é chorar. Mas o choro não vem…