Por que TÃO difícil?

A vontade é de chorar, mas o choro não vem.

Vontade e necessidade profunda de sermos entendidos, de não nos sentirmos tão sozinhos.

Mas a verdade é que não seremos entendidos. Não é possível. Pelo menos não por aqueles que nunca passaram por isso. Assim como nós não somos capazes de entender a dor de uma mãe que perde um filho, de um homem que fica viúvo, etc. O que nos une e nos torna um pouco mais humanos, é a capacidade de aceitar a dor do outro, e de dizer „sinto muito pela sua dor“. Pois cada um tem a sua…

Então aqui venho eu, de novo, com essa ladainha de adoção. É que hoje estou – ou estamos, meu marido e eu – me sentindo especialmente sozinha, fraca, meio perdida.

Há um tempo atrás D. e eu lemos um livro sobre uma história de adoção: um casal que mora(va?) na França adotou três meninas ao mesmo tempo. Três irmãs. No livro essa mãe relata as dificuldade que tiveram com o processo, com os responsáveis pelo processo, etc. Rimos e choramos algumas vezes, pois parecia que estávamos lendo a nossa história, sobre nossos problemas com a assistente social, etc.

Esse casal teve realmente um processo complicado. Chegaram a ter que recorrer a decisão negativa do juiz quanto à adoção, tendo que marcar audiência e apresentar seu caso perante as autoridades. Lembro de ler essa parte e pensar „meu Deus, olha por onde eles tiveram que passar. Pelo menos nesse ponto nós ainda não chegamos.“

Bem. Não havíamos chegado, ainda.

Hoje de manhã escrevi um E-mail para o juizado, perguntando se eles haviam recebido nosso E-mail de quase um mês atrás, onde expomos nossa preocupação quanto ao tratamento da assistente social conosco. Escrevemos que temíamos o que ela iria escrever no relatório dela, pois sentíamos preconceito e falta de confiança dela a nosso respeito. Enviamos no mesmo dia uma carta à assistente social fazendo o mesmo comentário, e listando todos os comentários e perguntas dela que nos ofenderam. A mesma carta foi enviada em anexo no E-mail para o juizado.

No dia seguinte, literalmente, tínhamos nossa última reunião com a assistente social. Naquele dia ela nos tratou bem diferente. Ficou claro que, por mais que tenha tentado se explicar quanto às nossas reclamações, ela levou a sério o que escrevemos. Uma assistente social demonstrando preconceito é coisa séria. Ela sabia disso. Mesmo assim, no final da reunião ela nos disse que o relatório dela seria negativo, ou seja, que ela não nos recomendaria para essa adoção.

Como eu disse ali em cima, hoje escrevi para o juizado perguntando se eles haviam recebido nossas reclamações. Menos de meia hora depois recebo a resposta:

„Bom dia

Confirmamos o recebimento do E-mail do dia 29. Junho 2016. Após a verificação do relatório social iremos entrar em contato para marcarmos uma audiência. Nessa audiência estará também presente a nossa jurista, que já estará a par do seu caso previamente.“

Meu Pai. Não acredito que chegamos mesmo nesse ponto. Nós só queremos adotar, ter filhos, dar um lar e uma família a crianças que não têm mais esperança. Audiência com jurista? Sério mesmo?

Meu coração está na boca desde que li esse E-mail. Não sei o que pensar, só queria mesmo é chorar. Mas o choro não vem…

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