Quando o relógio pára.

 

„HOJE PASSEI O DIA NO HOSPITAL“

Oi, queridos. Noite de insônia por aqui.

Estava aqui rolando na cama, pensando em como escrever sobre algo tão profundo. E francamente, eu nem sou a melhor pessoa pra escrever sobre isso – não passei por isso pessoalmente. Mas nas últimas semanas tenho acompanhado bem de perto uma amiga que está perdendo seu bebê. Como assim, „está perdendo“, você pergunta? Eu explico. Mas vou explicar por cima, pois a história nem é minha pra contar.

Hoje passei o dia no hospital com minha amiga. Chegamos ás 9:20 pontualmente, no horário marcado para o seu terceiro ultrassom. Ela está grávida há cerca de 11 semanas. Espera aí… 11 semanas, e já no terceiro ultrassom?

A gente sonha em ser mãe. Sonha em ver aquelas mágicas linhas aparecendo no teste de gravidez. Eu nunca tive o prazer de passar por isso, mas quando minha amiga me mostrou o teste dela, me emocionei e me alegrei com ela. Pude ver a alegria dela em receber mais um milagre da vida. Toda gravidez é um milagre, mas tem algumas que são „mega-milagres“.

Marcamos a primeira consulta, e no dia marcado fomos felizes e contentes „ouvir o coraçãozinho“. Ela estava ansiosa. Entramos na sala, ela respondeu algumas perguntas da médica – enjôo? sim. sangramento? não. cólica? muito leve. está bem? sim. Ok, então pode deitar ali. Aquele momento emocionante pelo qual toda grávida anseia, o momento que vai confirmar: tem mesmo uma vida crescendo dentro de mim. Que momento!…

A médica é séria. Procura, mexe e remexe, e não fala nada pelo que parece uma eternidade. E de repente eu tenho que traduzir (não moramos no Brasil, lembra?) pra minha amiga: „ela não está vendo batimento cardíaco„. Pode ser que esteja mais cedo do que pensamos, o feto ainda está pequeno. Vamos repetir em uma semana. Repetimos. Ela estava em paz e muito esperançosa, e honestamente, eu também. Tinha certeza de que ia enxergar um coraçãozinho batendo dessa vez. Mesmo assim, tive mais uma vez o duro papel de traduzir „ela não está vendo batimento cardíaco“. A médica explica as opções: tomar remédio em casa ou fazer uma curetagem. A médica não é estúpida, mas também não demonstra muita compaixão. „É normal, eu vejo isso todo dia“.

Bem, deixa eu te contar uma coisa, dra. Nós não vemos isso todo dia.

Ainda insegura e esperançosa, minha amiga decide fazer mais um ultrassom, dessa vez em um lugar diferente. E é aí que chegamos no dia de hoje, no terceiro ultrassom.

Eles demoram pra nos chamar. Já ouviu falar da pontualidade suíça? Ela não se aplica aos médicos. Finalmente entramos na sala: o marido dela, o filhinho, a médica, minha amiga e eu. Dessa vez parece que foi mais rápido. Acho que até eu já tinha aprendido a ler aquelas imagens confusas, e antes mesmo de a médica falar alguma coisa, já pensei „ah, não. não. não. não…“.

E é assim que o tempo pára. O mundo á nossa volta, os compromissos, os barulhos – tudo vira invisível, inaudível e irrisório. Passamos as próximas horas conversando com médicos, tirando sangue, urina, etc… e fazendo os preparativos para a curetagem.

Eu não sei quando e porque, mas em algum momento alguém decidiu que „é normal“ perder um bebê quando „tão cedo“ na gravidez. E esse alguém convenceu o mundo de que como é normal e acontece todo dia, então a dor nem deve ser tão grande assim. Não deve ser levada tão a sério, faz parte da vida. „Levanta a cabeça, e vamos pra próxima“. Minha amiga ficou primeiro chocada, depois arrasada, depois perdida, e depois repetiu todo o ciclo de novo. Eu não vou presumir aqui que sei o que ela está passando. Nem perto disso. Eu não consigo imaginar. Mas acompanhando ela de perto durante tudo isso, eu mesma fiquei arrasada, deprimida, fora do ar. Então pensei… se eu fiquei assim, o que ELA está sentindo?

E daí que está no começo da gravidez? Alguém consegue explicar o tamanho do amor que uma mulher começa a sentir pelo seu bebê no minuto que ela descobre estar grávida? Hoje minha amiga ouviu que o coração do bebê (nomenclaturas técnicas à parte. Pra uma mãe, um embrião é um bebê, um filho.) dela parou de bater aproximadamente na oitava semana de gravidez, e em dois dias ela vai entrar numa sala desconhecida, vestindo só um avental, com gente desconhecida em volta dela.

E quando ela acordar, ela não vai mais estar grávida.

 

Esse texto é uma tentativa de demonstrar meu profundo respeito e amor por mulheres que já passaram por isso. Sei que ele não faz jus ao tamanho da sua dor, mas queria dizer que sinto muito por você ter passado por ela. Sinto muito que o mundo nos traz sofrimentos, e que VOCÊ teve que passar por esse especificamente.

A dias melhores.

Carinho, Carol.

P.s.: esse texto foi escrito na madrugada de sexta pra sábado. Hoje é segunda, e correu tudo conforme planejado na curetagem.

Coragem, minha amiga.

 

Como curar a dor da infertilidade?

Olá, gente querida.

Que bom ver você por aqui de novo!

A infertilidade infelizmente é uma dor que atinge muito mais gente do que imaginamos. No vídeo de hoje conto como fomos curados da nossa dor. Tem sido um longo processo, mas que tem valido tanto a pena!

Espero que vocês curtam o vídeo, e sintam-se bem á vontade pra compartilha-lo com seus/suas amigos/as. Você poderá estar ajudando alguém, sem nem mesmo saber!

Carinho, Carol.

A dor da infertilidade.

Pare por um minuto. Feche os olhos. E pense: o que você acha que sentiria se ouvisse as palavras „VOCÊ NÃO PODE TER FILHOS.“?

Talvez você já tenha ouvido essas palavras dolorosas, então com certeza vai se identificar com o que a Adriana Aparecida escreveu nesse texto.

Talvez você nunca tenha ouvido isso. Talvez esteja agora mesmo grávida, ou talvez tenha já seus 1, 2 ou 3 filhos lindos e saudáveis correndo pela casa. Te deixando de cabelos em pé. Exausta como nunca esteve antes. Considere essa exaustão uma bênção!

Seja de que lado da moeda você estiver, vale a pena ler/ouvir essas palavras tão verdadeiras que a Adriana escreveu sobre a dor da infertilidade. Seja para perceber que não está sozinha/o nessa, ou para entender um pouco mais a dor que muitos á sua volta estão sentindo.

Carinho, Carol.