você daria seu filho para ser adotado?

Eu já sei a resposta de todos. Já a ouvi tantas vezes.

NÃO. JAMAIS. QUE ABSURDO. COMO PODE?…

Querem saber minha opinião?

MÃES QUE ENTREGAM SEUS FILHOS PARA SEREM ADOTADOS – ELAS TÊM O MEU RESPEITO.

Não estou falando de negligência, nem de abuso, nem de abandono. Abandono é outra coisa. Estou falando de mães que decidem voluntariamente abrir mão do seu bem mais precioso, não APESAR do seu amor por seu/sua filho/a, mas sim POR CAUSA do seu amor por eles. Percebe como essa troca de palavras faz toda a diferença?

Eu também não entendia, quando entramos nesse processo de adoção. Eu também olhava para crianças sem pais, e pensava „como uma mãe pode dar seu filho? Que pessoa má“. Há anos que aprendi a ouvir e abrir o coração e a mente para o lado da mãe biológica, e há anos luto com o preconceito dos muitos outros que ainda pensam assim. Luto não só por respeitar mulheres que conseguem agir de forma tão altruísta, mas também por amor aos meus futuros filhos. Quero que, dentro do possível, eles possam se sentir amados e respeitados pela mãe biológica, e que um dia eles também possam entender a grandeza de tal ato.

Existe, sim, o abandono. Existe negligência. Existe abuso. Mas eu oro pra que nossos filhos possam vir de uma mãe assim. Pois isso não é abandono, mas um ato de amor.

Carinho, Carol.

**Vídeo em inglês.

A gente pensa diferente, a gente sente diferente…

Nós escolhemos a Suíça como nosso país do coração, onde vivemos e estamos felizes. E geralmente nos identificamos muito com a cultura daqui, também. Mas quando paramos pra pensar porque o nosso processo de adoção e o nosso relacionamento com a assistente social estão sendo tão difíceis, descobrimos algumas diferenças culturais profundas, que determinam nosso modo de ver as coisas, que determinam o que achamos certo e errado, arriscado ou seguro.

Os dois lados têm razão, e os dois lados têm seus motivos. O que buscamos é aprender com os dois, e idealmente encontrar o equilíbrio entre os dois.

Espero que gostem do vídeo de hoje!

Carinho, Carol.

Comentários que machucam…

Bom dia, queridos!

Hoje estou aqui pra – de novo – mostrar mais algumas das nossas frustrações ao longo dessa jornada. Não é novidade, tanto que nem preciso escrever nada de novo. Vou pegar meu caderninho e transcrever aqui algumas das minhas anotações dos últimos anos. Eis a nossa frustração:

„30. Julho de 2013

Se tem uma coisa que me irrita e chateia, ou pelo menos nos últimos meses/anos tem irritado e chateado, é quando os outros (e aqui realmente piora o sentimento conforme aumenta o grau de intimidade com a pessoa em questão) acham que entendem o que estamos passando e sentindo, sem terem passado pela mesma coisa. Ou quando acham que entendem mais do nosso problema, do que nós mesmos. Não gosto quando os outros ouvem do nosso problema, e ao invés de somente ouvirem e abraçarem e dizerem „deve ser mesmo difícil“, acham que sempre têm que dar uma opinião ou dizer coisas do tipo „vocês ainda são novos, ainda vai acontecer“. Frases como esses e tantas outras („se não aconteceu ainda, é porque ainda não é tempo“, ou „tem que relaxar e não pensar nisso, que acontece“) são tão fáceis de serem faladas, difíceis de serem ouvidas, não são verdadeiras, e além de tudo isso, são talvez o que eu mais odeie em diálogos: frases feitas que o locutor tem preparadas no fundo da cabeça, na ponta da língua, para evitar ter que ouvir, refletir, e tentar entender de verdade.

Porque talvez quando em um diálogo profundo e de verdade, sincero, ele possa chegar à conclusão de que mesmo tentando, ele não pode mesmo entender. E que às vezes, o melhor mesmo é simplesmente não dizer nada. Porque pra certas dores e sofrimentos, ou até pra certos pensamentos, não exista no mundo frase apropriada pra se dizer. Mas infelizmente, o mais fácil mesmo é fazer de conta que ouviu, que entende, e tacar no ouvinte uma frase feita.“

Carinho, Carol.

 

Sobre ansiedade, esperança, e nossos „filhos de férias“.

Bom dia, gente.

O vídeo de hoje está meio cheio de sentimentos.

Quem está ou já esteve num processo de adoção, sabe que a espera e as complicações no meio do caminho muitas vezes nos trazem sentimentos que não conseguimos nem entender direito, nem controlar. Muitas vezes são sentimentos bonitos, mas outras vezes nem tanto. Porém, todos eles fazem parte desse processo. Nossa história seria incompleta se nós contássemos só sobre as partes bonitas.

Então aqui vai, minha sessão „abrindo o coração“ pra vocês!

Carinho, Carol.